Os rollouts internacionais de SAP raramente enfrentam dificuldades devido à qualidade da tradução. Na maioria dos casos, os obstáculos surgem muito antes: ninguém definiu exatamente o que precisava de ser traduzido, o orçamento baseou-se numa estimativa pouco fundamentada ou os conteúdos continuaram a mudar mesmo depois da aprovação da proposta.
E, na verdade, nenhum destes problemas resulta diretamente da tradução. Resultam de um planeamento insuficiente, algo que pode ser evitado quando se tomam as decisões certas antes de começar a traduzir. É precisamente aí que o nosso trabalho começa.
Quatro fases para um projeto de localização SAP bem planeado
Qualquer projeto de localização SAP deve contemplar quatro fases: definição do âmbito, tradução inicial, entrega e gestão das alterações.
Muitos projetos enfrentam dificuldades porque ignoram a primeira fase e não preveem a última. Na t’works, planeamos as quatro desde o início, para garantir que a fase de tradução decorre de forma mais organizada e previsível.
Fase 1: Definição do âmbito para um orçamento fundamentado
Questionário de análise inicial
Começamos com um questionário breve e estruturado e uma conversa com os administradores de sistemas, os programadores e os utilizadores das diferentes áreas de negócio. Afinal, cada grupo conhece pormenores do sistema que podem passar despercebidos aos restantes.
Em conjunto, identificamos os ambientes SAP, os mandantes, os namespaces e as línguas de destino, para perceber se o projeto envolve a introdução de novos idiomas, a atualização dos existentes ou ambas as situações.
Onde estão os conteúdos
No SAP, os textos não estão concentrados num único local. Distribuem-se por desenvolvimentos ABAP personalizados, aplicações Fiori e SAPUI5, tabelas de customizing, dados mestre e modelos de formulários, muitas vezes em diferentes sistemas e mandantes.
O nosso trabalho passa por identificar todos estes conteúdos e definir o percurso de transporte entre os ambientes de desenvolvimento (DEV), testes e garantia de qualidade (QA) e produção.
Desta forma, a entrega é planeada desde o início, evitando surpresas desagradáveis no momento da entrada em produção.
Idioma de desenvolvimento e idioma de origem
Muitos ambientes SAP incluem objetos criados originalmente em diferentes idiomas, por exemplo, alguns em inglês e outros em alemão.
Para evitar inconsistências, ajudamos a definir claramente três aspetos essenciais: o idioma de desenvolvimento de cada objeto, o idioma de origem a partir do qual serão realizadas as traduções e as línguas de destino. Quando os conteúdos originais foram escritos por pessoas que não são falantes nativos, incluímos uma etapa de revisão e aprovação antes de avançar com a tradução.
A lógica é: resolver uma ambiguidade uma única vez é muito mais económico do que reproduzi-la em doze idiomas diferentes.
Preparação do sistema
Antes de avançarmos com a análise, verificamos se o sistema está devidamente preparado: se as línguas de destino estão instaladas, se os respetivos pacotes de idiomas estão atualizados face aos pacotes de suporte (support packages) e se os processos de suplementação linguística e manutenção dos mandantes foram realizados corretamente.
Pode parecer um detalhe, mas uma importação de idiomas em falta pode levar a análise a identificar milhares de textos como «não traduzidos», quando, na realidade, as traduções já existem no SAP.
Analisar e questionar os resultados
Uma análise de tradução é o ponto de partida para definir o âmbito do projeto, mas os seus resultados não devem ser aceites sem uma avaliação crítica. As listas de trabalho incluem frequentemente grandes volumes de conteúdos que não faz sentido traduzir, como configurações assinaladas como não relevantes para tradução, objetos temporários ou textos que já deixaram de ser utilizados.
Em alguns casos, o maior conjunto de conteúdos de uma lista é precisamente aquele cuja própria designação indica que não deve ser traduzido. Por isso, classificamos os conteúdos e ajustamos a seleção a cada língua de destino, garantindo que o orçamento é direcionado para os textos que os utilizadores realmente vão ler.
Conteúdos fora do sistema
O trabalho de localização não se limita aos conteúdos existentes no SAP. Documentação, materiais de formação, portais e aplicações com ficheiros de recursos próprios também são identificados, contabilizados e incluídos na proposta. Assim, evitamos que estes conteúdos surjam inesperadamente a meio do projeto, com implicações nos custos ou nos prazos inicialmente previstos.
Para além dos números: pessoas, funções e ferramentas
Definir o âmbito também implica identificar as funções e responsabilidades necessárias ao projeto. Entre elas estão o administrador de traduções, o gestor de projeto, os tradutores, o especialista em terminologia, o administrador de sistemas, o administrador SAP BTP, o responsável pelo desenvolvimento e os representantes das áreas de negócio.
Importa esclarecer que falamos de funções, não necessariamente do número de pessoas envolvidas. Uma pessoa pode assumir várias responsabilidades, tal como uma função pode ser distribuída por diferentes elementos da equipa.
Damos especial atenção a duas áreas frequentemente esquecidas: a gestão da terminologia e a administração SAP BTP. É também nesta fase que recomendamos as ferramentas mais adequadas, tendo em conta a dimensão do projeto e quem será responsável pela tradução. As opções podem incluir a transação SE63, o SAP Translation Hub, ferramentas de terceiros baseadas em XLIFF ou uma combinação destas soluções.
Fase 2: Tradução inicial: primeiro, a terminologia
A terminologia como ponto de partida
Antes de começarmos a traduzir os textos das interfaces SAP, definimos e aprovamos a terminologia, garantindo que está alinhada com os termos padrão do SAP em cada língua de destino. O objetivo é garantir que os campos e funcionalidades personalizados utilizem uma terminologia tão consistente quanto a dos elementos originais do SAP.
Consistência terminológica através dos elementos de dados
Os elementos de dados são fundamentais para a estrutura dos textos SAP. Através de uma abordagem conhecida como termcasting, traduzimos as designações dos campos uma única vez, ao nível dos elementos de dados, e aplicamos essa terminologia de forma consistente em todos os ecrãs, relatórios e tabelas que os utilizam.
Assim, garantimos consistência desde o início e reduzimos os custos de tradução para cada nova língua.
Primeiro os textos curtos, depois os longos
Começamos pelos textos curtos, como as designações dos campos, as mensagens e os textos da interface, com os quais os utilizadores contactam diariamente. Seguem-se os textos mais extensos, como a documentação, os conteúdos de ajuda F1 e as mensagens detalhadas, sempre com base na terminologia previamente aprovada.
Com uma terminologia consistente e uma memória de tradução já disponível, grande parte dos conteúdos pode ser pré-traduzida, necessitando apenas de revisão em vez de uma tradução integral de raiz.
Consistência entre backend e frontend
No backend ABAP, trabalhamos com elementos de dados, domínios, classes de mensagens, elementos de texto, tabelas de customizing e documentação. Já no frontend Fiori/SAPUI5, abrangemos os ficheiros de recursos i18n e os textos das aplicações.
Desta forma, os utilizadores encontram a mesma terminologia, quer estejam a trabalhar na interface SAP GUI, quer utilizem o Fiori Launchpad.
Fase 3: Entrega e validação diretamente no sistema
Tal como acontece com outras alterações ao sistema, as traduções seguem o percurso de transporte previamente definido e passam pelos mesmos processos de aprovação das restantes componentes de cada nova versão. A validação final é realizada diretamente no SAP, por um falante nativo e no contexto real de utilização, não numa simples folha de cálculo.
Afinal, uma tradução que parece perfeita num ficheiro pode não funcionar num campo com apenas 20 caracteres de um bloco da interface Fiori.
E é precisamente por isso que a verificação no próprio sistema é tão importante: só assim é possível confirmar se os textos estão corretos e funcionam no contexto em que serão apresentados aos utilizadores.
Fase 4: Gestão contínua das alterações
Esta fase é essencial para proteger o seu investimento a longo prazo. As equipas continuam a atualizar as configurações SAP, enquanto os programadores desenvolvem novos objetos e alteram os existentes. Sempre que um texto de origem é modificado, uma tradução que estava correta até então pode deixar de o estar, muitas vezes sem que ninguém se aperceba.
Para evitar este problema, estabelecemos um processo contínuo: identificar as alterações, traduzir apenas os conteúdos novos ou modificados e integrar as traduções no sistema.
Desta forma, a manutenção torna-se mais simples e os custos mais reduzidos e previsíveis, evitando a necessidade de iniciar um novo projeto de tradução todos os anos.
Documentamos também os processos e as configurações de tradução e damos formação à sua equipa, garantindo que o conhecimento não fica concentrado numa única pessoa.
Para empresas com desenvolvimentos SAP internos
Os desenvolvimentos personalizados Z e os objetos criados em namespaces próprios estão frequentemente entre os elementos mais importantes do sistema para a atividade da empresa. No entanto, é habitual que estes conteúdos existam apenas no idioma de desenvolvimento.
Quer esteja a preparar um rollout internacional ou a expandir a sua solução SAP para mais um país, ajudamos a identificar o que realmente precisa de ser traduzido, a resolver eventuais ambiguidades nos textos de origem e a integrar o trabalho nos processos de transporte e disponibilização de novas versões que a sua empresa já utiliza.
Depois da entrada em produção, continuamos a acompanhar a evolução dos desenvolvimentos, garantindo que as traduções se mantêm atualizadas.
Para fornecedores de add-ons e soluções SAP
Os clientes de diferentes mercados esperam poder utilizar os produtos no seu próprio idioma, com o mesmo nível de qualidade e consistência que encontram nas funcionalidades padrão do SAP. É aqui que entramos como parceiro de localização ao longo das diferentes versões da sua solução.
O namespace é definido uma única vez, enquanto a terminologia e a memória de tradução são mantidas e atualizadas entre versões. Assim, a cada nova versão, é necessário traduzir apenas os conteúdos que foram acrescentados ou modificados.
O resultado? Adicionar uma nova língua deixa de ser um projeto isolado e passa a ser uma etapa que pode ser integrada no planeamento e na evolução do produto.
As vantagens de uma localização SAP bem planeada
Com esta abordagem, a sua empresa beneficia de um âmbito de projeto claramente definido e de uma estimativa de custos baseada nos conteúdos reais do sistema. Desde o início, ficam também estabelecidos os idiomas de desenvolvimento e de origem, bem como uma terminologia alinhada com os padrões SAP.
As traduções são integradas diretamente no sistema, através do percurso de transporte escolhido, e validadas em contexto por falantes nativos. Além disso, um processo contínuo de gestão das alterações permite manter os conteúdos atualizados a cada nova versão, sem necessidade de começar tudo de novo.
Em resumo
Um projeto de localização SAP bem-sucedido começa muito antes da primeira tradução. É fundamental definir o âmbito antes de pedir um orçamento, esclarecer as dependências entre idiomas, verificar se o sistema está preparado e atribuir as funções essenciais desde o início.
A escolha das ferramentas deve ter em conta quem vai traduzir e as necessidades reais do projeto. E a gestão das alterações deve ser planeada logo na fase inicial, não apenas depois da entrada em produção.
É assim que conduzimos cada projeto de localização SAP: com planeamento, consistência e uma abordagem pensada para acompanhar o crescimento da sua empresa.
Vamos conversar?
Está a preparar a expansão internacional de um desenvolvimento SAP ou de um add-on?
Fale-nos do seu projeto e enviamos-lhe o nosso Questionário de Análise Inicial. Demora cerca de 20 minutos a preencher e permite obter uma primeira visão realista das necessidades de localização da sua solução.
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